CANERSTUDIO · ateliê de restauro e patrimônio
Clayton Caner, arquiteto restaurador
Restauro pinturas, esculturas, arte sacra e edifícios históricos há mais de duas décadas. Esta página reúne o meu percurso, a minha formação e as obras que me foram confiadas.

Cheguei ao restauro pela arquitetura, e fiquei pelo que ela não ensina
Sou arquiteto urbanista formado pela PUC-Campinas, artista plástico e restaurador de obras de arte. A arquitetura me ensinou a ler um edifício: o que sustenta, o que já cedeu, por onde a água entra. O restauro me ensinou a outra metade, que é saber parar a tempo.
O trabalho tem duas naturezas. Uma é técnica: identificar materiais, entender a causa do dano antes do dano, testar em área discreta, escolher produtos compatíveis, registrar cada etapa em fotografia e em ficha. A outra é de julgamento, e é a mais difícil de aprender: decidir o que não será feito. Nem toda marca do tempo é dano. Algumas são testemunho, e apagá-las é perder justamente a história que dá valor à obra.
Por isso não prometo deixar nova a peça que chega até aqui. Prometo devolvê-la estável, legível e documentada, com cada decisão explicada por escrito, incluindo aquelas que escolhi não tomar.

Nirceu Helena, restaurador, escultor e professor.
Linhagem
O ofício me foi transmitido por um mestre
Minha formação em conservação e restauro não veio de um curso rápido. Veio da Oficina de Restauro Bragança, com Nirceu Helena — restaurador, escultor e professor formado pela Belas Artes de São Paulo e pelo Instituto Técnico de Restauro Domingo I. Tellechea, onde depois lecionou por catorze anos.
Restauro é um ofício que se transmite de mão em mão, diante da obra, com alguém mais velho dizendo onde parar. O que recebi dele está em cada decisão que tomo no ateliê. É por isso que o nome dele está nesta página, e não apenas no meu currículo.
Formação — Belas Artes de São Paulo. Conservação e Restauração no Instituto Técnico de Restauro Domingo I. Tellechea.
Aperfeiçoamento — Curso de restauração na Pinacoteca de São Paulo com Gian Luigi Colalucci, restaurador-chefe da Capela Sistina (2000). Técnicas modernas de reintegração pictórica com Estela Court, professora da Universidade de Artes da Argentina (2000).
Ensino — Professor do Instituto Técnico de Restauro Domingo I. Tellechea (1987–2001) e de Educação Artística na Faculdade de Ciências e Letras de Bragança Paulista (1977–1993).
Obras em destaque — Palácio do Itamaraty (RJ), Pinacoteca do Estado de São Paulo, Catedral de Joinville (SC), Fazenda Guariroba (Campinas), Museu Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga (Rio Claro), Universidade São Francisco (Bragança Paulista), SESC Interlagos e Igreja Nossa Senhora do Rosário de Bragança Paulista (2011–2013).
Formação e credenciais
Formação e credenciais de um arquiteto restaurador
Arquitetura
Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Registro profissional
Registro no CAU sob o número A100361-5, o que permite assinar responsabilidade técnica pelas intervenções em bem histórico.
Restauro
Conservação e Restauração de Obras de Arte na Oficina de Restauro Bragança, com Nirceu Helena.
Técnicas
Arte sacra, vitral tradicional, ícone bizantino, mosaico, pintura em cerâmica, óleo, acrílico, pastel, aquarela, encáustica a frio, caseína, guache, têmpera e preparo de suportes.
Princípio
Intervir o mínimo, de modo reversível
“modus minimum” e “possibilis revertere”
A CANERSTUDIO trabalha segundo a teoria da restauração moderna: manter ou restabelecer a unidade potencial da obra sem cometer falsificação histórica, social ou artística, e sem eliminar os sinais da passagem do tempo.
Na prática, isso se traduz em três compromissos que valem para uma tela do século XIX e para o forro de uma capela: testar antes de aplicar, usar materiais compatíveis e reversíveis sempre que possível, e registrar o que foi feito — e também o que se decidiu não fazer.
Obras confiadas
Alguns trabalhos e onde eles estão
Cada item abaixo é uma obra real, em um lugar que pode ser visitado. Os links levam ao estudo do caso no portfólio.
Igrejas, capelas e arte sacra
- Cristo em madeira policromada, de tamanho natural, e altares de madeira da Igreja Matriz de Ubatuba, SP. ver o caso →
- Igreja Nossa Senhora do Rosário, Bragança Paulista, SP. ver o caso →
- Pintura mural da Igreja Nossa Senhora das Graças, Marechal Hermes, Rio de Janeiro, pintada pelo artista catalão Pujoul Sabaté na década de 1940. ver o caso →
- Capela da Santíssima Trindade, Botucatu, SP.
- Capela Madre Paulina e sala da provedoria da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista.
- Imagem de Nossa Senhora da Glória da capela do ISE, Bragança Paulista.
- Cristo crucificado em jacarandá e restauro de vitrais.
- Altar da Capela da Fazenda São Caetano. ver o caso →
Patrimônio, espaço público e fazendas
- Monumento da Revolução de 1932, escultura em bronze de tamanho natural em praça pública, representando um soldado morto em combate. Bem tombado pelo conselho de patrimônio de Bragança Paulista.
- Monumento da Praça 9 de Julho, Bragança Paulista, SP.
- Fazenda Paraíso, Sergipe: restauração e projeto de intervenção. ver o caso →
- Pintura mural em Ipanema, Rio de Janeiro. ver o caso →
- Pinturas de cavalete de coleções particulares, entre elas a Sagrada Família da escola cusquenha. ver o caso →
- Esculturas em madeira, pedra e bronze. ver o caso →
Arte sacra
Uma imagem de devoção não é só uma obra de arte
Boa parte do que passa pelo ateliê nasceu para a fé: imaginária, retábulos, forros, pintura mural, vitrais. Essas peças têm uma camada a mais de responsabilidade, porque não pertencem apenas à história da arte: pertencem a uma comunidade que reconhece nelas um rosto, um gesto, uma presença.
Conhecer a liturgia, os símbolos e a ordem dos rituais muda decisões concretas de projeto e de restauro — o que se limpa, o que se consolida, o que se deixa como está. Repintar o rosto de uma imagem devolve cor e apaga justamente aquilo que a comunidade reconhecia. É a diferença entre restaurar e refazer.

O diferencial
Uma obra nunca está sozinha. Ela está num lugar.
Umidade na parede, luz da janela, a estrutura que sustenta o retábulo: boa parte dos danos começa fora da obra. Ler a obra e o edifício juntos é o que a formação em arquitetura acrescenta ao restauro.
Responsabilidade técnica
Registro de Responsabilidade Técnica emitido no CAU para as intervenções.
Bens tombados
Preparação da documentação exigida pelos órgãos de patrimônio para autorizar a intervenção.
Leitura do lugar
Diagnóstico das causas no edifício, não apenas dos sintomas na obra.
Documentação
Dossiê do antes, do durante e do depois, que você pode apresentar à comunidade, ao conselho ou à seguradora.
A CANERSTUDIO é um ateliê de restauro e patrimônio. Projeto de arquitetura existe aqui como instrumento de um restauro.
O primeiro passo
Mostre a obra. O diagnóstico começa pelo olhar.
Envie fotos da frente, do verso e dos detalhes que preocupam. Você recebe uma leitura preliminar por escrito, com o que se sabe, o que é hipótese e o que precisa de exame presencial.
Enviar fotos pelo WhatsAppOutras formas de contato