Projetos de Restauração

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Restauração de Pintura Mural: Castelo, de Marrone, em Ipanema

Esta restauração de pintura mural tratou Castelo, um óleo sobre parede de 150 x 375 cm pintado por Marrone na década de 1960, com a camada pictórica ressecada e craquelada, deslocamento e perda de partes da pintura e um verniz oxidado. O verniz oxidado foi retirado com solventes especiais.

O painel fica num apartamento de Ipanema, de frente para o mar e perto de uma via de trânsito intenso. É um endereço que qualquer um invejaria, e um dos piores ambientes possíveis para uma pintura. Maresia de um lado, gases de escapamento do outro, e a obra no meio, respirando os dois todos os dias.

Diagnóstico: o que a maresia e a parede fizeram com o mural

A camada pictórica estava ressecada e craquelada, um problema característico da pintura a óleo feita diretamente sobre parede. O ressecamento revelava algo mais fundo: a tinta e a preparação da parede tinham deixado de trabalhar juntas. A preparação era de má qualidade, e a interação ruim entre as camadas provocava deslocamento e perda de partes da pintura.

O ambiente agravava tudo. Além da maresia, o painel recebia os gases da combustão dos motores: óxidos de carbono (CO e CO₂), óxidos de enxofre (SOx), óxidos de nitrogênio (NOx) e hidrocarbonetos aromáticos. Por cima, um verniz oxidado, e uma pintura que perdia coesão.

Uma pintura mural é tão boa quanto a parede que a sustenta. Quando a preparação falha, a tinta pode ser excelente e mesmo assim se desprender.

Como foi feita a restauração da pintura mural

Em Castelo, a etapa registrada é a remoção do verniz oxidado. Abaixo, ela aparece ao lado do procedimento que adotamos em murais a óleo, cuja ordem segue uma regra simples: primeiro garantir que a pintura fique presa à parede, depois cuidar do que se vê.

Remoção do verniz oxidado

O verniz oxidado foi retirado com solventes especiais, escolhidos para agir sobre o verniz sem atacar a tinta a óleo de Marrone.

Nosso procedimento para murais a óleo

Neste tipo de obra, nosso procedimento começa pela avaliação e pelos estudos do painel, que identificam áreas craqueladas e ressecadas, partes deslocadas e perdas. As regiões soltas ou descascando recebem material de consolidação, para devolver adesão entre a camada pictórica e a parede. Limpar antes de consolidar seria arriscar levar a tinta junto com a sujeira.

Depois vêm a limpeza da sujidade, da fuligem e da poeira, o preenchimento das lacunas com material próprio até o nível da superfície pintada e a reintegração em tratteggio: pequenos traços de cor, lado a lado, aplicados a pincel. De longe, o olho os funde com a pintura; de perto, quem souber olhar distingue onde entrou a mão do restaurador.

O critério: retocar o mural sem fingir que é Marrone

Cesare Brandi tinha uma regra que vale para qualquer pintura mural: nenhuma obra se restaura com a mesma técnica em que foi feita. Nem afresco como afresco, nem óleo com mais óleo por cima. O retoque precisa ser compatível com a pintura e, ao mesmo tempo, distinguível dela e removível no futuro. É por isso que, em murais a óleo, trabalhamos com o tratteggio: ele cobre a perda e só a perda, sem repintar o autor.

O outro lado do critério está fora da pintura. Em frente ao mar, a causa não sai do lugar: a maresia e o trânsito continuam lá. O italiano Giovanni Urbani, que pensou a conservação preventiva nos anos 1970, chamou isso de conservação programada, uma técnica que "volta-se necessariamente, antes que aos bens individuais, ao ambiente que os contém". Num painel como este, cuidar do ambiente é parte do restauro.

O que a restauração devolveu ao painel

Não um mural com cara de recém-pintado. Um painel livre do verniz oxidado que se interpunha entre a pintura e quem a olha, com as marcas de idade que pertencem a ela. Em frente ao mar, porém, o cuidado não termina na entrega: o ambiente continua agindo sobre a obra.

Ficha técnica

  • Obra: Castelo
  • Autor: Marrone
  • Data: década de 1960
  • Técnica: óleo sobre mural
  • Medidas: 150 x 375 cm
  • Local: apartamento em Ipanema, Rio de Janeiro
  • Diagnóstico: tinta a óleo ressecada; falha de interação entre as camadas picturais e a preparação da parede, com deslocamento e perda de camada pictórica; craquelamento; verniz oxidado; perda de coesão; exposição à maresia e a gases de combustão
  • Procedimentos: remoção do verniz oxidado com solventes especiais

Perguntas frequentes sobre restauração de pintura mural

Dá para restaurar uma pintura mural sem tirá-la da parede?

Na grande maioria dos casos, sim, e é o caminho preferível. A pintura é consolidada, limpa e reintegrada no próprio local. Retirar um mural da parede é a intervenção mais radical que existe e só se justifica quando a permanência ali ameaça a sobrevivência da obra. O diagnóstico define o que é possível.

A maresia estraga pintura mural?

Pode estragar. O sal trazido pelo ar do mar se deposita na superfície e nos poros da parede e, com a variação de umidade, ajuda a desagregar a preparação e a soltar a tinta. Em cidades litorâneas com trânsito intenso, a poluição dos motores soma outro fator de degradação. Controlar o ambiente faz parte da conservação.

Por que pintura a óleo na parede craquela?

O óleo forma uma película que envelhece, perde elasticidade e resseca. Sobre parede, ela depende de uma preparação bem feita para se manter presa. Quando a preparação é fraca ou incompatível, as camadas deixam de trabalhar juntas e surgem craquelês, bolhas e desprendimentos. Cada caso pede diagnóstico próprio antes do tratamento.

Como cuidar de um mural depois do restauro?

Evitar umidade constante, sol direto e limpezas com pano molhado ou produtos domésticos, que atacam a tinta e o verniz. Em ambientes agressivos, como frente para o mar, inspeções periódicas ajudam a notar cedo um novo desprendimento. Uma intervenção pequena e precoce custa muito menos à obra do que uma grande e tardia.

Se você tem um mural em casa, no prédio ou na empresa que começou a soltar ou escurecer, comece por um diagnóstico. Preserve a obra sem apagar a sua história.

Texto de Clayton Caner, arquiteto e restaurador da CANERSTUDIO.

Este trabalho faz parte do serviço de restauração de igrejas, capelas e pintura mural.

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