Transparência antes do orçamento

Quanto custa restaurar
uma obra de arte?

A resposta honesta é que não existe tabela. Mas existe uma lógica clara — e ela pode ser explicada antes de qualquer visita.

Por que nenhum restaurador sério publica tabela

Duas telas do mesmo tamanho, penduradas na mesma sala, podem exigir trabalhos completamente diferentes. Uma pede quatro horas de limpeza. A outra precisa sair do chassi, ser reentelada, ter a camada pictórica consolidada ponto a ponto e receber reintegração cromática em dezenas de lacunas.

O preço não vem do tamanho da obra. Vem do estado dela — e o estado só se conhece olhando.

Os seis fatores que definem o valor

Todo orçamento da CANERSTUDIO se apoia nestes pontos. Nenhum deles é opinião: todos são verificáveis no diagnóstico.

01

Extensão do dano

Sujidade superficial e verniz oxidado são uma coisa. Rasgo na tela, craquelamento com destacamento e perda de camada pictórica são outra, muito mais lenta.

02

Suporte e técnica

Óleo sobre tela, têmpera sobre madeira, pintura mural, madeira policromada, gesso, folha de ouro — cada material exige método, produto e tempo próprios.

03

Intervenções anteriores

Restauros mal feitos no passado costumam custar mais que o dano original. Remover um retoque errado exige mais cuidado do que fazer o certo desde o início.

04

Dimensão e acesso

Uma tela de cavalete vem ao ateliê. Uma pintura mural exige andaime, equipe e trabalho no local, muitas vezes com a igreja em funcionamento.

05

Exigência de documentação

Obra tombada, acervo de museu ou peça de diocese requer laudo, ficha técnica e registro fotográfico de cada etapa. Isso é trabalho, e entra no valor.

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Moldura e complementos

Moldura atacada por xilófagos, douramento perdido, chassi empenado. Frequentemente a moldura dá mais trabalho que a pintura.

Ordens de grandeza

Não são preços fechados — são faixas observadas em projetos já executados pelo ateliê. Servem para você saber se estamos na mesma conversa antes de investir tempo em uma visita.

Conservação e limpeza

Em torno de R$ 2.000

Obra sadia, sem intervenção na camada original.

Obra estruturalmente sadia que precisa apenas de higienização, remoção de verniz oxidado e proteção final. O trabalho devolve leitura à pintura sem intervir na camada original.

  • Limpeza técnica com teste de solubilidade
  • Remoção de verniz amarelado
  • Verniz de proteção reversível

Restauro completo de quadro

Dificilmente passa de R$ 10.000

A maior parte dos casos se resolve a partir de R$ 3.000.

Faixa mais frequente em pinturas de cavalete com dano real: tela deformada ou rasgada, camada pictórica destacando, lacunas visíveis, moldura comprometida.

  • Retirada do chassi, planificação e reentelagem quando necessária
  • Consolidação da camada pictórica
  • Reintegração cromática das lacunas
  • Restauro da moldura e douramento
  • Documentação fotográfica do processo

Imaginária e escultura sacra

Dificilmente passa de R$ 5.000

A maior parte dos casos se resolve a partir de R$ 1.000.

Madeira policromada, gesso, folha de ouro. O valor depende de quanto da policromia original sobreviveu e se há ataque de insetos xilófagos no suporte.

  • Tratamento do suporte e consolidação da madeira
  • Reintegração de partes faltantes
  • Recomposição de policromia e douramento

Igrejas, capelas e pintura mural

Sempre orçado projeto a projeto

O valor depende do pé-direito e da necessidade de andaime, da área a tratar, da técnica original, do estado de conservação e dos problemas revelados no diagnóstico.

Obras de escopo arquitetônico. Envolvem diagnóstico estrutural, montagem de andaime, equipe e execução por etapas — muitas vezes com o templo em uso. Por isso o orçamento só existe depois da leitura do lugar: duas capelas do mesmo tamanho podem exigir trabalhos incomparáveis.

  • Diagnóstico e laudo técnico prévio
  • Tratamento da causa antes do sintoma, como infiltração de cobertura
  • Restauro de pintura mural, altar, imaginária e ornamentos
  • Cronograma compatível com a agenda litúrgica
  • Documentação completa para prestação de contas à comunidade

Valores estimados, apresentados apenas como ordem de grandeza. Podem sofrer alterações de acordo com cada caso específico, após o diagnóstico da obra.

Veja trabalhos reais, com antes e depois, em cada uma dessas frentes:

O outro lado da conta

Quanto custa perder uma obra

Há um valor que não aparece em orçamento nenhum, porque não se escreve em reais.

Uma obra que se perde leva junto o que estava guardado nela. O retrato que atravessou três gerações e que agora só existe na lembrança de quem o viu inteiro. A imagem diante da qual a bisavó rezava, passada adiante como quem passa um nome. O quadro que estava na casa da avó. O mural que a comunidade inteira ajudou a pagar.

Nada disso se refaz. Pode-se pintar outro quadro; não se pinta outra vez aquele. Uma obra destruída não é substituída — ela fica ausente, e a ausência é definitiva.

A perda quase nunca acontece de uma vez. Acontece devagar, e em silêncio.

A umidade que ninguém viu atrás da tela. O verniz que escureceu até apagar o rosto. O craquelamento que começou pequeno e um dia soltou. Em quase todos esses casos houve um momento em que ainda dava para salvar — e esse momento passou sem avisar ninguém.

Restaurar a tempo custa uma fração do que custa restaurar tarde. E existe um ponto além do qual nenhum valor resolve, porque já não há matéria original para tratar. É por isso que o diagnóstico preliminar é gratuito: quanto antes se sabe o que a obra tem, menos ela custa — e mais dela sobrevive.

O orçamento mais barato costuma ser o mais caro

Uma limpeza feita com produto errado remove tinta original junto com a sujeira. Um verniz não reversível impede qualquer trabalho futuro. Um retoque sobre a camada original apaga a mão do artista.

Nenhum desses danos se desfaz. O que se economiza em um orçamento mal feito costuma reaparecer multiplicado — quando ainda houver o que salvar.

Restaurar não é deixar novo.

É devolver estabilidade, leitura e dignidade sem falsificar a história que o tempo escreveu.

Toda intervenção da CANERSTUDIO é reversível, documentada e feita sob o princípio da mínima intervenção.

Como se chega ao valor

1

Você envia fotos

Frente, verso, moldura e detalhe dos danos, e as medidas da obra (altura x largura). Luz natural, sem flash. É o suficiente para uma leitura preliminar.

2

Diagnóstico preliminar

Uma primeira avaliação do estado, do tipo de intervenção provável e da ordem de grandeza — sem custo e sem compromisso.

3

Exame presencial

Se fizer sentido seguir, a obra é examinada de perto. Alguns danos só aparecem sob luz rasante ou ultravioleta.

4

Proposta técnica

Escopo detalhado, etapas, materiais, prazo e valor fechado. Sem surpresa depois de iniciado o trabalho.

O que está sempre incluso

  • Diagnóstico técnico antes de qualquer intervenção
  • Teste de solubilidade antes de qualquer limpeza
  • Materiais reversíveis e compatíveis com o original
  • Registro fotográfico de antes, durante e depois
  • Ficha técnica da obra e do tratamento aplicado
  • Orientação de conservação preventiva na entrega

Trabalho conduzido por Clayton Caner, arquiteto urbanista e restaurador, registro CAU A100361-5, com mais de duas décadas de ateliê.

Perguntas frequentes sobre preço

Por que não há uma tabela de preços no site?

Porque ela seria falsa. O valor de um restauro depende do estado da obra, e o estado só se conhece examinando. Qualquer tabela publicada ou estaria alta demais para casos simples, ou baixa demais para casos graves — e nos dois casos enganaria quem a lesse.

O diagnóstico preliminar tem custo?

Não. A avaliação a partir de fotos é gratuita e sem compromisso. Ela serve para você entender o que a obra tem e decidir se quer seguir adiante.

Dá para parcelar?

Sim. Restauros de maior porte são normalmente executados por etapas, com pagamento acompanhando o cronograma. Em projetos de igreja, o escopo pode ser dividido em fases ao longo de meses, o que costuma facilitar a captação de recursos pela paróquia.

Quanto tempo demora?

Uma limpeza pode levar dias. Um restauro completo de quadro, algumas semanas. Um projeto de igreja, meses. O prazo entra na proposta técnica, com as etapas discriminadas — restauro tem tempos de secagem e de estabilização que não se aceleram sem prejuízo à obra.

Vale a pena restaurar uma obra sem valor de mercado?

Essa é uma decisão sua, não nossa. Boa parte do que passa pelo ateliê não tem valor de leilão — tem valor de memória. Um retrato de família, a imagem que atravessou gerações, o quadro que estava na casa da avó. O que podemos fazer é dizer com honestidade o que a obra precisa e quanto custa, para que você decida com informação.

Atendem fora de São Paulo?

Sim. Obras de cavalete podem ser enviadas ao ateliê com orientação de embalagem. Projetos de arquitetura, pintura mural e imaginária de grande porte são atendidos no local, em todo o Brasil, com custo de deslocamento previsto na proposta.

Descubra o que a sua obra precisa

Envie fotos da peça e receba um diagnóstico preliminar sem custo. A maioria dos danos parece pior do que é — e alguns são mais graves do que aparentam.

Caner Studio

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