Pinturas e quadros
Restauração de quadros e pinturas
Óleo sobre tela, têmpera sobre madeira, aquarela, gravura, retrato de família. Diagnóstico antes de qualquer intervenção, materiais reversíveis e a decisão sempre sua.
O que realmente assusta
O medo não é gastar. É entregar o quadro e receber outra coisa de volta.
Quase todo mundo que chega ao ateliê tem a mesma hesitação, e quase ninguém diz em voz alta: e se ficar pior? E se o restaurador passar a mão por cima e apagar o que ainda era do artista? E se eu mandar uma obra com história e receber uma pintura nova?
Por isso este ateliê trabalha sob três regras que você pode cobrar por escrito: nenhuma intervenção sem diagnóstico, nenhum material irreversível e nenhum retoque sobre tinta original — a reintegração entra apenas onde já não há original, e de forma que um exame técnico sempre a distinga.
Restaurar não é deixar novo. É devolver estabilidade, leitura e dignidade sem falsificar a história que o tempo escreveu.
Diagnóstico
O que tratamos em uma pintura
Cada um destes danos tem causa própria, tempo próprio e risco próprio de agravamento. O diagnóstico separa o que é urgente do que pode esperar.
01
Tinta soltando
Escamas erguidas, craquelamento com destacamento, perdas em progresso. É o único dano que piora a cada semana — e o que cai não volta.
02
Verniz escurecido
O véu cor de chá que apaga os azuis e fecha as sombras. Quase sempre o que amarelou foi o verniz, não a pintura.
03
Rasgo e furo na tela
Corte, perfuração, deformação por impacto. Exige planificação e, conforme o caso, reentelagem ou enxerto localizado.
04
Umidade e fungo
Manchas no verso, colônias ativas, fibra enfraquecida. É dano vivo: continua consumindo material enquanto a obra segue pendurada.
05
Repintura antiga
Camadas aplicadas por terceiros que envelheceram diferente do original. Remover o retoque errado costuma dar mais trabalho que o dano original.
06
Moldura e chassi
Xilófagos, douramento perdido, chassi empenado, tela frouxa. Frequentemente a moldura dá mais trabalho que a pintura.
Método
Como o trabalho acontece
Quatro etapas, nesta ordem, sem pular nenhuma. Você acompanha cada uma por registro fotográfico.
Esse cuidado tem base técnica. Os solventes capazes de dissolver um verniz envelhecido também podem amolecer a camada pictórica, e por isso toda limpeza começa por pequenos testes, em várias cores (Stoner e Rushfield, Conservation of Easel Paintings). E toda reintegração deve ficar invisível à distância normal e reconhecível de perto, como formulou Cesare Brandi na Teoria da Restauração.
ETAPA 01
Leitura preliminar
Você envia fotos de frente, verso, moldura, detalhe dos danos e as medidas. Em até dois dias digo o que a obra provavelmente tem e a ordem de grandeza. Gratuito.
ETAPA 02
Exame e laudo
A obra é examinada de perto, com luz rasante e ultravioleta. Daí sai o laudo: materiais, danos, causas e tratamento proposto.
ETAPA 03
Proposta fechada
Escopo, etapas, materiais, prazo e valor. Sem surpresa depois de iniciado. Você aprova antes de qualquer intervenção.
ETAPA 04
Execução e entrega
Registro de antes, durante e depois, ficha técnica do tratamento aplicado e orientação de conservação preventiva.
Antes de qualquer coisa
O que nunca fazer com um quadro antigo
Esta lista existe porque cada item dela já chegou ao ateliê como um problema maior do que o original.
Colar escama com cola branca. Adesivo irreversível que enrijece e amarela.
Usar fita adesiva para segurar tinta solta. Ao sair, leva a camada junto.
Limpar com álcool, acetona ou thinner. Dissolvem verniz e tinta com a mesma facilidade.
Receita caseira de batata, cebola, leite ou pasta de dente. Chegam aqui como abrasão irregular.
Passar óleo ou cera para avivar a cor. Saturam por alguns meses e depois escurecem mais.
Envernizar por cima do verniz velho. Não clareia: sela o escurecimento.
Secador, ferro ou lâmpada. Calor amolece o aglutinante e acelera o descolamento.
Guardar embrulhado em plástico. Retém umidade e cria estufa.
Se a sua obra já apresenta um destes sinais, não tente resolver em casa: fotografe frente, verso e o detalhe do dano e peça uma leitura preliminar.
Prova
Pinturas já restauradas
Antes e depois de trabalhos executados pelo ateliê, com o estado inicial documentado.
Retrato de Jurandyr Ubirajara CamposReentelagem a vácuo e retoque
Retrato de 1901, Oscar Pereira da SilvaFixação, limpeza e novo chassi
Momentos inesquecíveis, Adélio SarroReentelagem em mesa de calor e vácuo
Sagrada Família cusquenha, século XVIIDiagnóstico, limpeza e novo chassi
Paisagem do ipê, Victorio PanuncioReentelagem em linho com Beva 371
Marinha a óleo sobre madeiraLimpeza e moldura redourada a mixtionValor
Quanto custa restaurar um quadro
Dificilmente passa de R$ 10.000
A maior parte dos casos de pintura de cavalete se resolve a partir de R$ 3.000. Obras estruturalmente sadias, que precisam apenas de higienização e remoção de verniz, ficam em torno de R$ 2.000.
Valores estimados, apresentados apenas como ordem de grandeza. O valor fechado sai após o diagnóstico da obra.
Perguntas frequentes
O que costumam me perguntar
Quanto tempo leva o restauro de um quadro?
Uma limpeza com remoção de verniz pode levar dias. Um restauro completo, com reentelagem e reintegração, algumas semanas. O prazo entra na proposta com as etapas discriminadas — restauro tem tempos de secagem e de estabilização que não se aceleram sem prejuízo à obra.
Vou reconhecer meu quadro depois de restaurado?
Sim. A sensação de quem recebe a obra de volta costuma ser de reencontro, não de novidade: é a mesma pintura, agora legível. Se em algum momento o resultado parecer outra obra, foi restauro mal feito — e é justamente o que o princípio da mínima intervenção existe para impedir.
Meu quadro não tem valor de mercado. Vale a pena?
Essa é uma decisão sua, não nossa. Boa parte do que passa pelo ateliê não tem valor de leilão — tem valor de memória. O retrato de família, o quadro que estava na casa da avó. O que podemos fazer é dizer com honestidade o que a obra precisa e quanto custa, para que você decida com informação.
Como transporto a obra até o ateliê?
Deitada, com a face para cima, sem nada apoiado sobre a superfície e sem plástico em contato direto com a tinta. Nunca enrole uma tela que esteja com a camada pictórica solta. Se houver fragmentos caídos, envie-os juntos, em envelope de papel identificado.
Quais regiões vocês atendem?
Para quadros e pinturas de cavalete, o atendimento cobre a Grande São Paulo, o ABC, a região de Campinas, a Baixada Santista e o Vale do Paraíba. Pintura mural, igrejas e imagens sacras são atendidas em todo o Brasil, com o deslocamento previsto na proposta.
O que recebo no final?
A obra tratada, a ficha técnica do tratamento aplicado, o registro fotográfico de antes, durante e depois, e orientação de conservação preventiva — onde pendurar, que umidade evitar, o que observar daqui para a frente.
A moldura entra no mesmo orçamento?
Entra como item discriminado. Moldura com ataque de xilófagos, douramento perdido ou chassi empenado exige tratamento próprio, e você vê o valor separado para decidir se quer as duas frentes ou só a pintura.
Comece por uma leitura preliminar
Envie fotos da obra — frente, verso, moldura, detalhe dos danos e as medidas. A avaliação é gratuita e diz o que a peça tem, se o caso é urgente e qual a ordem de grandeza, antes de qualquer visita. Atendimento de quadros na Grande São Paulo, no ABC, na região de Campinas, na Baixada Santista e no Vale do Paraíba.
Trabalho conduzido por Clayton Caner, arquiteto urbanista e restaurador, CAU A100361-5, com mais de duas décadas de ateliê.