Reforma de Igrejas: Igreja Nossa Senhora do Sirino, em Sergipe
Esta reforma de igrejas começou com a obra atrasada: a Igreja Nossa Senhora do Sirino, em Sergipe, tinha um piso de concreto executado de forma errada. Fizemos um cronograma e um planejamento de obras, removemos o concreto, instalamos piso de ladrilho hidráulico desenhado por Clayton Caner, aplicamos molduras na fachada e executamos a decoração e a pintura da igreja, com folha de ouro.
Quem procura "reforma de igreja" quase sempre tem um problema concreto: o piso quebrou, o telhado vaza, a pintura descascou, a comunidade cresceu. A pergunta que fazemos antes do orçamento é outra: o que, nesta igreja, é preciso renovar, e o que é preciso preservar? Reforma resolve o uso. Restauro responde pela memória. Uma igreja quase sempre precisa das duas, na dose certa.
O que encontramos na reforma da igreja
Fomos contratados para restaurar e reformar a igreja quando a obra já estava em andamento e atrasada. O problema estava no chão: o concreto do piso havia sido executado de forma errada e precisava ser refeito.
Obra atrasada se resolve com sequência, não com pressa. Cada serviço feito fora de ordem obriga a desfazer o anterior.
Como foi feita a reforma da Igreja do Sirino
Cronograma e planejamento
O primeiro trabalho foi de escritório. Montamos um cronograma e um planejamento de obras para reorganizar a sequência dos serviços e recuperar o controle do prazo.
Piso: do concreto errado ao ladrilho hidráulico
Retiramos todo o concreto mal executado. Depois concretamos de novo, fizemos a camada de regularização e assentamos o piso de ladrilho hidráulico. O desenho do ladrilho foi projetado pelo arquiteto restaurador Clayton Caner, e as peças foram produzidas pela Brasil Imperial, em São Paulo.
Molduras na fachada
Projetamos e aplicamos as molduras da fachada da igreja.
Bancos e altar
Auxiliamos na escolha dos bancos e do altar.
Decoração, pintura e douramento
Executamos a decoração e a pintura da igreja, com desenhos, folheação em folhas de ouro e pinturas do painel e vitrais.
Painel e vitrais
A igreja possui um painel do artista plástico Sergio Prata. Os vitrais foram executados pela casa de vitrais Luidi & Gonçalves, do Rio de Janeiro.
Reforma ou restauro: a diferença que uma igreja precisa entender
Reforma e restauro são coisas diferentes, e confundir as duas já custou caro ao patrimônio brasileiro. A reforma atualiza: troca, moderniza, adapta o edifício a um uso. O restauro conserva: trata a matéria histórica que existe, sem substituí-la pelo gosto do momento.
No século XIX, muitas igrejas da Bahia passaram por reformas de "atualização estilística". Na Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, a talha barroca foi considerada fora de moda e substituída em 1827 por decoração neoclássica. E, como observou a historiadora Marieta Alves, nessas reformas as pinturas eram muitas vezes retocadas "com visível prejuízo do colorido primitivo". Para quem fez, era atualização. Para quem estuda patrimônio hoje, foi perda.
Por isso a lei brasileira trata o bem tombado de forma diferente. O Decreto-Lei 25, de 1937, que organizou a proteção do patrimônio histórico nacional, determina no artigo 17: "As coisas tombadas não poderão, em caso nenhum, ser destruídas, demolidas ou mutiladas, nem, sem prévia autorização especial do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, ser reparadas, pintadas ou restauradas". Estados e municípios têm regras próprias para os bens que tombam.
Na prática, a pergunta certa não é "reformar ou restaurar?", mas "o que é o quê nesta igreja?". Um contrapiso de concreto mal executado se refaz sem culpa. Uma pintura antiga, uma talha, um piso original pedem restauro. E há sempre a comunidade: uma igreja é patrimônio vivo, e a teoria contemporânea do restauro manda perguntar, antes de tudo, para quem e por que se intervém. A reforma do Sirino foi feita para quem reza ali.
O que a reforma entregou à comunidade
Uma obra reorganizada por cronograma. Um piso correto do contrapiso ao acabamento, com desenho próprio. Uma fachada com molduras e uma igreja decorada e pintada, com douramento em folha de ouro, ao lado do painel de Sergio Prata e dos vitrais, pronta para receber a comunidade.
Ficha técnica
- Obra: reforma e decoração da Igreja Nossa Senhora do Sirino
- Local: Sergipe
- Diagnóstico: obra em atraso; piso de concreto executado de forma errada
- Procedimentos: cronograma e planejamento de obras; remoção do concreto do piso, nova concretagem, camada de regularização e assentamento de ladrilho hidráulico; projeto e aplicação de molduras na fachada; apoio na escolha de bancos e altar; decoração e pintura da igreja com desenhos, folheação em folhas de ouro e pinturas do painel e vitrais
- Piso: ladrilho hidráulico projetado por Clayton Caner, produzido pela Brasil Imperial (São Paulo)
- Painel: de autoria do artista plástico Sergio Prata
- Vitrais: executados pela casa de vitrais Luidi & Gonçalves (Rio de Janeiro)
Perguntas frequentes sobre reforma de igrejas
Qual a diferença entre reforma e restauro de igreja?
A reforma renova ou adapta o edifício: troca piso, instalações, acabamentos, cria acessos. O restauro conserva o que tem valor histórico ou artístico, tratando a matéria existente em vez de substituí-la. Muitas obras de igreja combinam as duas. O diagnóstico separa o que pode ser renovado do que precisa ser preservado.
Uma reforma pode prejudicar uma igreja antiga?
Pode, quando troca o que tem valor histórico por material novo sem diagnóstico. Pinturas cobertas por tinta comum, talhas substituídas, pisos antigos arrancados: são perdas que não se desfazem. A reforma bem feita separa antes o que é antigo do que é recente e, se a igreja for tombada, só começa com o projeto aprovado pelo órgão de proteção.
Dá para trocar o piso de uma igreja antiga?
Depende do piso. Um contrapiso ou acabamento recente e mal executado pode ser refeito. Um piso original, de ladrilho, pedra ou madeira antiga, faz parte da história do edifício e deve ser avaliado para conservação antes de qualquer troca. Em igreja tombada, a decisão passa pelo órgão de proteção.
Como planejar a reforma de uma igreja?
Comece pelo levantamento do edifício e pelo diagnóstico: o que está danificado, o que é antigo, o que é protegido. Depois vêm o projeto, as aprovações necessárias e o cronograma por etapas, combinado com a paróquia para manter as celebrações. Envolver a comunidade desde o início evita retrabalho e decisões contestadas.
Se a sua igreja precisa de obra, comece por entender o que deve ser renovado e o que deve ser preservado. Preserve a obra sem apagar a sua história.
Texto de Clayton Caner, arquiteto e restaurador da CANERSTUDIO.
Este trabalho faz parte do serviço de restauração de igrejas, capelas e pintura mural.
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